Boa-noite • 05/04/2025

9 de dezembro de 2024 às 09:16
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Editorial: Ciclo da dependência do Bolsa família e a escassez da mão de obra

A  escassez de mão de obra em diversos setores da economia tem sido tema de discussões em Simão Dias,  em Sergipe e no Brasil inteiro. Esse fenômeno está diretamente relacionado a um fator social importante: o Bolsa Família, que, ao garantir uma fonte de renda mínima para muitas famílias, tem gerado uma resistência de trabalhadores em aceitar ofertas de empregos formais. Isso ocorre porque a maioria dos beneficiários prefere não sair da rede de assistência social para não perder o benefício.

Diante dessa realidade, algumas construtoras começaram a buscar acordos com o governo, pleiteando uma forma de garantir que seus empregados não percam o benefício enquanto trabalharem nas obras. Porém, a questão que se coloca é: será que esse é o caminho correto para solucionar a crise da falta de mão de obra?

A medida pode até parecer uma solução imediata para o setor da construção, mas levanta sérias questões quando analisada em um contexto mais amplo. Outros setores da economia, como a agricultura, estão enfrentando desafios semelhantes. Os produtores rurais, por exemplo, têm dificuldade em encontrar trabalhadores para o campo, o que impacta a produção e, consequentemente, os preços de alimentos. A escassez de mão de obra nas zonas rurais tem gerado um aumento nos custos operacionais e em alguns casos até a redução na produção, afetando diretamente o abastecimento de mercados e a economia como um todo.

Além disso, o comércio e as indústrias também enfrentam seus próprios desafios relacionados à escassez de trabalhadores. A falta de mão de obra qualificada é outro obstáculo para o crescimento de vários setores, e a dependência do auxílio do governo para completar vagas de trabalho pode prejudicar a competitividade das empresas no longo prazo.

Decerto, a questão da falta de mão de obra não está apenas ligada ao Bolsa Família. Ela envolve uma série de fatores estruturais, como a baixa qualificação profissional, a precarização das condições de trabalho, a falta de incentivos para a educação e o aprimoramento profissional, além das condições socioeconômicas que limitam a mobilidade da força de trabalho.

O programa tem é magnifico na intencionalidade de garantir a dignidade básica para aqueles em situação de vulnerabilidade social, mas  peca feio ao não incentivar e ofertar políticas públicas de inclusão  dessas pessoas ao mercado de trabalho que alinhem o benefício com a geração de oportunidades de emprego e capacitação.

Portanto, propostas para a solução  do problema da escassez de mão de obra no país para ser apresentadas ao governo federal não deve ficar restrita apenas às construtoras. Deve ocorrer já, já ‘o estouro da boaida’, mesmo porque  a temática exige uma abordagem mais abrangente que leve em consideração a capacitação profissional, a melhoria das condições de trabalho, a mobilidade da força de trabalho entre diferentes setores e a implementação de políticas públicas que incentivem a permanência no mercado de trabalho sem desestimular o acesso aos benefícios sociais.

Por fim, Lula e o Congresso terão que descascar muito bem esse abacaxi daqui para 2026, ano que ocorrerá eleições para escolhas de Presidente, Senadores, governadores e deputados federais e estaduais, pois  se não houver uma reformulação dos modelos de políticas públicas, as consequências  serão expandidas, agora, para o setor da classe política. É preciso coragem para enxergar que as sequelas graves advindas do ciclo de dependência social provocou fragilidade econômica no país e uma crise da falta de mão de obra nas zonas urbanas e rurais. A questão necessita ser resolvida o quanto antes possível!

Por: Jornal Simãodiense jornalsimaodiense

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