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25 de abril de 2018 às 17:06
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Abin defende mais preparo do Brasil contra agroterrorismo e sabotagem na agricultura

O oficial de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Danilo Coelho defendeu, nesta quarta-feira (25), que o Brasil se prepare melhor para possibilidades como agroterrorismo e sabotagem na agricultura nacional. Ele participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional sobre a ameaça das armas químicas e biológicas.

O representante da Abin destacou que o Brasil não tem lista de agentes químico-biológico selecionados que deveriam ser objeto de controle e de políticas públicas internas, tal qual outros países. A agência prefere falar em agentes químico-biológicos, em vez de armas, já que eles podem ser produzidos em um evento acidental em um laboratório, por exemplo.

Segundo Coelho, a disseminação de um desses agentes poderia ter efeitos enormes na economia do País, como a disseminação proposital do vírus da febre aftosa no rebanho bovino.

“O agroterrorismo e a sabotagem na agricultura nacional e no meio ambiente deveriam ser temas mais debatidos pelo País”, disse. Para Coelho, no caso de armas químicas e biológicas, a ameaça não estatal, inclusive por parte de agentes internos, é maior do que a ameaça estatal, na medida em que o País é pacífico.

Ele defendeu que se criem mecanismos para que atores não-estatais não tenham acesso aos agentes químico-biológicos selecionados. Ainda conforme o oficial de inteligência, é preciso fomentar cultura de proteção, para que um agricultor que encontre uma praga exótica na lavoura, por exemplo, fruto de agroterrorismo, sabia o que fazer e a quem recorrer.

Além da educação para a cultura de proteção biológica e química, o representante da Abin defendeu que bombeiros e polícias tenham equipes especializadas para responder a esses eventos e que sejam elaborados planos em nível nacional e estadual para o caso de ameaças dessa ordem.

Ele ressaltou que o Brasil construiu planos voltados para grandes eventos que ocorreram no País, mas que é preciso manter o legado e transformá-los em planos perenes. Para ele, a Defesa Civil é preparada para desastres naturais, mas não para desastres químicos-biológicos. Segundo ele, essas ações não dependem de mais recursos, mas da reorganização de estruturas já existentes.

Plano de resposta e cultura de proteção
O deputado Vinícius de Carvalho (PRB-SP), que solicitou a audiência, também acredita que o Brasil não tem plano de resposta para eventuais ataques químico-biológicos e nem cultura de proteção. Ele mencionou, por exemplo, que o número da Defesa Civil para casos de emergência não responde prontamente.

Ele pediu a realização da audiência motivado por episódio acontecido na cidade inglesa de Salisbury, onde um ex-oficial de inteligência militar e sua filha foram envenenados com um agente neurotóxico de uso militar. Além disso, lembrou que os governos dos Estados Unidos e da Síria trocaram recentemente acusações sobre o uso de armas químicas contra rebeldes que ocupam o território sírio.

O coronel Chamon Malizia de Lamare, da subchefia de Operações do Ministério da Defesa, afirmou que o Brasil incrementou os esforços para desenvolver expertise na área desde a tragédia do césio 137, ocorrida em 1987 em Goiânia, o maior acidente radioativo do mundo fora de uma usina nuclear.

Ele observou ainda, que os grandes eventos – como visita do Papa ao Brasil em 2007, a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016) – deram impulso para o País se desenvolver nessa área. “Os grandes eventos permitiram a aquisição de novos equipamentos”, disse. Além disso, segundo ele, permitiram que diversas simulações de incidentes fossem feitas.

“Mas nós precisamos aperfeiçoar e consolidar mecanismos que foram adquiridos nesses grandes eventos, que deixaram seu legado, e não podem ser interrompidos”, completou. No ano passado, foi criado o Centro Regional de Assistência e Proteção de Armas Químicas, que está em fase de consolidação.

O deputado Márcio Marinho (PRB-BA) chamou atenção o baixo orçamento para equipar as Forças Armadas para a defesa nesta área.

Convenções
Na audiência, a subchefe da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do Ministério das Relações Exteriores, Maria Cecília Vieira, ressaltou que o Brasil é signatário de convenções internacionais que proíbem a produção, estocagem e uso de armas químicas e biológicas. Trata-se da Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas (CPAB), ratificada pelo Brasil em 1976, e da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas (CPAQ), referendada pelo País em 1999.

Segundo ela, o Brasil condena veementemente o uso de armas químicas e de destruição em massa e defende que haja ampla investigação dos casos de Salisbury e da Síria – primeiro país acusado de uso de armas químicas no século XXI.

Agência Câmara Notícias

Por: Jornal Simãodiense

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